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Posted on quinta-feira, 19 de junho de 2014 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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I - Cinzas

Carnaval: é o fim
Aos caminhos, o silêncio
Cada um segue seu rumo
Cada fruta com seu sumo
Segue a seiva ao seu lugar

Veja a calma de novo
As cinzas ficarão pra trás
E o tambor que não cessara
Para a paz ainda rara
Já repousa em seu lugar

O que até ontem ressoava
Um dia foi trilha da dor
Tambor, aquele de couro
Instrumento de choro
Foi açoite em seu lugar

Ressoou pra encantar
Ele até que achava bom
Mas seu som era mentira
E a verdade que existira
Não estava em seu lugar

Passa e repassa estação
Seu sorriso assim sincero
Emoldura ingenuidade
De uma besta saudade
Do que achava ser lugar

Ela embora como o vento
Carregado por sua mãe
Levou junto seu tambor
Que um dia embalou
A distância ao seu lugar

II - Quaresma (Existência)

Pagando penitência 
Em noite quente grau clichê
Um belo dia novamente
Resolveu te ver
Será que isso existiu?
Será que isso existiu?

Disse "não, não há
Não dá, saia daqui"
Loba em corpo de cordeiro
Disse não mais existir
O que nunca existiu
O que nunca existiu

Tempo passa, passa longe
Passa muito e não passou
A dor santa que agora
Finalmente endiabrou
Porque nunca existiu
Porque nunca existiu

A maldade estava à solta
Até bruxa de Habeas Corpus
Punhal, sangue em seu rosto
E seus primeiros socorros?
Isso nunca existiu
Isso nunca existiu

Ora agora por seu sangue
Sua carne e podridão
Toda parte que um dia 
foi tocada por sua mão
Isso sim existiu
Isso sim existiu

III - Extra Omnes (Para fora todo o mal)
Tempo, tempo, meu senhor
Livrai mais um coração
Desse mal de fumaça
Sacramentado na praça
Pelo servo e seu senhor

Tempo, tempo, passe mais
Põe pra fora todo o mal
Seja outra vez heril
Pelos dois seres em fogo
Que em caminhos diferentes
Manipulam tanta gente

Dorme então outra vez
E serás abraçado
Longe dela teu dormir
Será enfim abençoado

Dorme então devagar
Seja leve o teu sono
Já vai bater à sua porta 
E alguém que já se importa
Surgirá em seu próximo outono

VI - Verdes Vitrais da Verdade

Onde está? O que vê lá fora?
Sinta a paz, não se preocupe agora
Veja que é livre pra alçar voo por aí
Se ontem alguém te viu dormir
Só queria a tua alma purificar
Pra que mais um carnaval fosse passar

Uma flecha com o gosto 
De mulher em esporão
Deu a grande volta ao mundo 
E foi certeira ao coração
Foi, viveste a folia
Para outra elegia
O coração sacramentar

Do passado hoje não 
Sentirás mais saudade
Olhe apenas por verdes vitrais 
Neles encontras verdade

Está frente ao seu olhar
Amor em terra pega fogo, água e ar

Não, não vá escapar
Do amor que pega fogo em água, terra e ar

Meu amor, o que é que há?
Seja o elemento que falta pra alimentar

Amor, ar, terra, fogo, água e o que restará
Nada que o tempo não se cuide de apagar



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