CENTRISMO

Posted on segunda-feira, 10 de março de 2014 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Com os cumprimentos e escusas, me apresento cancioneiro do neologismo. Mas já aviso que esse texto não será como os outros. Inclusive faço “spoiler” em dizer que até mesmo a linguagem empregada vai variar. Venho tentar falar de centrismo. Por que nenhuma vida pode associar centrismo a outra coisa que não seja a própria? Nós seres humanos somos como saltimbancos do velho mundo em eterna turnê. Batemos palmas para diversos tipos de palhaços acreditando que aprendemos e sofremos uma única vez. Maldito egocentrismo.

Não apanhamos somente uma vez e não há vacinas com prazo de validade indeterminado. É certeza. Mas não aprendemos. Numa conversa cêntrica, andamos em círculo girando em torno do centro de massa da razão.

Recebemos elogios todos os dias. Chamam-nos de inteligentes, até mesmo lindos em alguns casos, bem apanhados, sorridentes, alegres e determinados. E muitas vezes optamos por ouvir quem pouco fala ou simplesmente achamos graça em um “rs” numa mensagem de rede social. Oligomesotolicentrismo.

No meu cantar lamento a injustiça. Não aquela outrora sofrida, e sim a que cometo diariamente ao me acorrentar: dúvida entre centrismo e masoquismo. Não quero mais aprender a não sofrer. Não quero mais aprender a não errar. Nunca vamos parar de errar mesmo. Quero arriscar, quero me doar, quero a vida com todas as coisas boas e ruins. Vivocentrismo.

Não quero encontrar o centro de massa da razão. Não mais. Não está ao meu alcance. Nunca estará. O pior é que a teoria é linda, mas na prática colocar as caras para viver é mais difícil que se esconder. Como aquele antigo medo de dentista. Mas acho que é um esforço válido!

A outra eterna briga: o passado. Esquecer ou não? Centrismo ou saudosismo? Uma vez estudando química aprendi que a ligação sigma é forte e a pi é vagabunda. O que isso significa? Muitas coisas, mas na química aplicada da vida, entendemos que a vagabunda a gente acaba esquecendo com o tempo. A sigma é forte e vai ficar. E a vagabunda será apenas mais uma "nádega pelo qual passamos as mãos". Passado pode ficar no passado. Se ele voltar, torna-se presente. Parece óbvio, mas nas nossas cabeças é como ler “A Divina Comédia” em seu texto original. E com o perdão da audácia pela nobre referência, é como ficar preso no purgatório e seus cânticos de Dante. 

Se nessa reação química louca  tiver uma ligação que parece ser sigma, que tal experimentar “doar alguns elétrons”? Lembre-se, nem só de ligações covalentes vive um átomo! E deixemos de lado os centrismos metafóricos.

Eu queria dizer algo deixando de lado a norma culta, usando um português bem chulo: “vamos nos foder!!!” Sim, isso mesmo. Sem arriscar, sem dar errado, não dará certo. Vamos dizer palavras sem se preocupar em machucar quem não importa. Vamos nos amar e amar quem merece o amor. E quem sabe desistir de procurar o centro de massa da razão. 

Por ora retiro oficialmente minha tentativa falha de blindagem. Estou aqui pronto para dar certo. Se der errado no meio do caminho a gente tenta de novo. E assim sucessivamente. Um dia dá certo. Enquanto não dá a gente se diverte com as “ligações pi”. Se eu chorar um dia e rir dois, o saldo é positivo. Deus nos deu a oportunidade de cumprir uma missão aqui nesse planeta. Ficar “na defensiva” não vai mudar absolutamente nada. 

Sem traumas, sem rancor, sem ressentimentos. Centrismo Carpe Diem: meia calabresa, meia clichê.

Feliz centrismo novo! 

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