Frívolo

Posted on domingo, 23 de dezembro de 2012 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Era como mais uma noite de inverno. Eu me sentia envolto por uma manta que me protegia do doce frio. O som contínuo do órgão clássico era trilha para a melancolia do crepúsculo mais monótono do mundo. Garganta de frágua, voz trêmula e pensamento indo e voltando. A noite chegava e as vozes em coral na vizinhança me faziam lembrar que era noite de Natal.

Sentia-me fraco, alimentado somente pela esperança do sol voltar no dia seguinte trazendo o que um dia perdi e não mais voltou. Já não sabia o que sentia. As eternas noites eram marcadas por choro e desespero. É uma fase que sinto saudades, já que após esse período de exasperação foi chegada a hora da aceitação. A verdade foi então cruxificada à minha frente, como meu Jesus Cristo sangrando frente à minha devoção.

Fantasmas bateram à porta e eu, já acostumado, gentilmente abri a porta aos meus algozes. Estava mesmo esperando. Tudo estava idêntico. Parecendo insano ergui um brinde aos meus fantasmas, tendo a certeza que foram os únicos que não me trocaram pelo conforto de uma outra vida. Eles não me abandonaram. Feliz Natal.

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