'V' de Vingança

Posted on quinta-feira, 14 de junho de 2012 by Ewerton Fintelman | 1 comentários

Esses dias assistindo a TV acabei parando no canal SBT e, como nos tempos de infância, parei no seriado mexicano Chaves, do grande comediante Roberto Bolaños, o Chespirito. A série, apesar de considerada 'boba e ultrapassada' por muitos, ainda me arranca risos, além de mostrar lições de vida, o que sem dúvidas é otimo para seu público alvo.

No episódio que estava vendo, o personagem Don Ramón transmitia um pensamento que dizia: "A vingança nunca é boa: mata a alma e a envenena." Até que ponto podemos levar esse pensamento a uma reflexão?

Genericamente poderia dizer que a vingança semeia o ódio alheio, além de nos igualar aos nossos algozes. Não estaria errado, mas estaria clichê. As consequências são muito maiores que qualquer pessoa pode pensar racionalmente. A sede de vingança consome qualquer sentimento, mesmo que o sentimento já seja algo ruim. É o prazer de se fazer o mal. Exemplifico minha ideia com a letra de uma música de autoria do saudoso Lupicínio Rodrigues, cujo nome é o tema do post:

"Mas enquanto houver força em meu peito
Eu não quero mais nada
Só vingança vingança, vingança
Aos santos clamar
Ela há de rolar como as pedras
Que rolam na estrada
Sem ter nunca um cantinho de seu
Pra poder descansar"


O verso "Eu não quero mais nada" é bem enfático no que afirmei anteriormente. Muitas vezes a vingança se justifica pela recuperação da honra. Vou deixar a pergunta que Castro Alves fez já há muito tempo: "Ai! Que vale a vingança, pobre amigo, se na vingança, a honra não se lava?"

Pode um desejo de fazer justiça tão obssecado, tão selvagem? Ora, se é selvagem e bruto, é justo? Vingar é se aproximar do que nos faz sofrer. Chagas gritantes são tocadas, novos gritos se ouvem. O estágio de justiça própria é o fim do argumento. É parar a vida pra arquitetar a queda de uma pessoa e esquecer de erguer-se.

Mais intrigante é o paradoxo formado: a pessoa mais explosiva precisa de calma, sangue frio. É o beijo envenenado olhos nos olhos.

Para encerrar, proponho uma reflexão a partir de uma frase de Charles Chaplin: "Nunca a alma humana surge tão forte e nobre como quando renúncia à vingança e ousa perdoar uma ofensa." Você seria capaz?

Forte abraço.
Até mais!

Um comentário:

RosiCouto♪ disse...

Me vi ao longo do texto... Ora como vítima, ora como algoz!

Mais um excelente texto!

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