O Último Poeta

Posted on sábado, 2 de abril de 2011 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
Marcadores: , ,

Quando a última centelha de fogo se apaga, a visão é uma floresta de âmagos cinza. O vazio se esquece pela brisa que carrega a poeira da morte. Floresta cinzenta, negro arrebol. Sinto a vida deixar meu corpo, meus olhos carregados de lágrima vazias se fecharem. Mil pensamentos tentam se configurar, mas o sentimento é compunção da alma.

Das sete vidas que tinha, sete mortes por solidão. Tendência, mas nada elementar. Revolta, mas nada pessoal, mesmo mentira. Ah, opósito amigo! Por que não tive teu sucesso e tu meu talento? Inveja é sortilégio que não tenho, são injustiças das quais não me conformo.

Não digo que volto para o achaque, pois dele nunca saí. O choque de realidade é grande, mas o - infeliz - forte coração é bravo, como se não quisesse nunca padecer. Segue batendo por bater, segue vivendo por viver... sem alma, sem brilho, sem sentimentos. Apenas uma última alma pulsando sozinha no mundo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário