Rio de Lágrimas de Janeiro

Posted on sábado, 27 de novembro de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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O Rio de Janeiro virou um campo de batalha. Para a mídia, é claro. Campo de batalha já é há tempos, mas quando os holofotes curiosos e as lentes sedentas por imagens curvam-se às favelas, é hora do "show". É hora do poder paralelo mostrar seu poder na TV. É o momento em que uma sociedade excluída mostra que existe, como se dissesse "eu posso ter espaço frente ao mundo". Obviamente, de uma forma tida como incorreta em nossos valores sociais.

Morrem culpados, morrem inocentes. Como dizem ditos populares, "se está na chuva é para se molhar". E quando homens sedentos por sangue sobem o morro, não tem culpado nem inocente. É muito fácil escrever dizendo que está "tudo errado". Mais fácil ainda é acreditar em teorias da conspiração. Outros dizem por aí até que esses súbitos ataques se devem ao rompimento de um suposto acordo do Governador Sérgio Cabral (PMDB) com facções criminosas. Acordos existem sim, mas sejamos sinceros, não dá pra imaginar Elias Maluco no Palácio das Laranjeiras discutindo um acordo com o Governo, não é? O sistema é uma rede muito mais ampla. Dá pra acreditar que o Governador sabe de tudo? Apesar da minha visão política fazer oposição ao governo do estado do Rio de Janeiro, temos de concordar que o Governo está sim tentando fazer alguma coisa contra isso. Mas é claro, se os ataques continuam, é mais tempo de exposição na mídia.

Isso é apenas o início da queda da pose de paz que o PMDB e seus aliados fizeram questão de mostrar durante a campanha eleitoral. Lembro do candidato derrotado ao governo do estado Fernando Peregrino (PR) questionando a eficácia das UPP's nos debates televisivos. O governador Sérgio Cabral considerou uma ofensa, apresentou estatísticas, concluiu que as UPP's eram a solução para a violência no Rio de Janeiro. E não foi o único. Candidatos como Fernando Gabeira (PV), como Jefferson Moura (PSOL) também apontaram problemas nesse novo sistema. O "boom" está se fazendo para quem quiser ver, é só ligar a TV.

Para quem acredita que é o início do fim, eu refuto: é apenas o fim do início.

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