O Senhor da Unção

Posted on sexta-feira, 17 de setembro de 2010 by Ewerton Fintelman | 1 comentários
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Era um homem rico e poderoso. Possuía influência política, grande empresário que poderia mandar e desmandar em qualquer parte do país. Arrogante como ele não se fazia, apesar dos carinhos de sua esposa. Postergava seus amores e amizades. Rogava calamidade em tudo. Só comprava e vendia. Pensava construir um império.

Um dia perdeu a visão. E com ela a vontade de viver. Sentia que tudo que construíra havia desmoronado, pois nada poderia ver. Ali não perdera a vida, pois já havera perdido. Descobrira que nunca havia vivido.

Resolveu sair de casa sozinho. Ainda não se acostumara com aquela bengala. Seu dinheiro não podia comprar nada mais eficiente, a não ser pagar um "guia". Mas naquela oportunidade preferiu sair sozinho. Por não ter costume, logo ao sair de casa, tropeçou e caiu. Sentia ter fraturado um osso. Podia sentir a ponta calcificada pressionando a carne. Logo um menino foi ajudá-lo. O homem sentia-se pior por estar sendo ajudado por quem sequer conhecia. Perguntou ao menino onde morava. Queria lhe dar uma bonificação por estar ajudando. O menino prontamente disse que morava ali. Ali onde? Na rua.

O menino avistou um telefone público do outro lado da rua. Atravessando a rua, o menino sentiu o peso de um caminhão no seu tronco, caindo sem vida no asfalto clivado da rua. O homem ouvindo tudo aquilo se desesperou. Sentia dor na alma, quase um nojo de si. Quis morrer ali. Não conseguira. Caíra desacordado.

Soube no hospital quando acordou que o menino havia morrido. Ali pode entender o quão injusta a vida era. Só não pode entender porque tudo era único. Havia mudado, tardiamente. Estava sozinho e ali ficara. Finalmente concluiu que só conseguiu ver o mundo quando seus olhos não mais enxergavam.

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