O Navio de Memórias

Posted on segunda-feira, 7 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
Marcadores:

Como um navio que corta o oceano, meu pensamento corta o horizonte azul espalhando memórias pelo chão. Memórias que são fatos, memórias que poderiam ser fatos. Memórias de naufrágios, estas resgatadas das profundezas do oceano periférico mental.

No sangue que jorra da cútis ferida do animal, no adornado flóreo arrancado com força pelo tempo, somente as memórias sobrevivem. Sobrevivem às forças, marcam como o tempo que marca o espaço, desbravam a selva nua de acontecimentos, dá liberdade.

Recordar é entender. O navio de memórias está sempre a navegar por um oceano de acontecimentos, ancorando sempre pelo lado aprazente. Quando o oceano está revolto, o navio de memórias ancora agravosamente. É a hora da tripulação tomar páreo e fazer sua experiência acorrer.

Para uns, o navio de memórias se despede ao sair de um porto. O vazio, o frívolo, o oco... concretices quase abstratas fundem-se em sentimentos. A invasão é imediata, a lágrima escorre nos olhos tristes de quem vê a partida. Tudo é tão fora de alcance, tão fora de forma, e o olhar se fecha mesmo sem a fricção das pálpebras. Ele se torna apenas inútil, o sentido menos importante para o momento.

A alegria de quem vê a chegada do navio de memórias se faz como a vida. Não reflete felicidade, reflete momentos. Um navio que chega vai voltar um dia carregando consigo os momentos. O ciclo é comum, mas vai um dia arrancar lágrimas dos corações entregues às lembranças. Oh, navio de memórias, quero meu decesso contigo, mesmo que ainda viajemos por horizontes incontáveis. Meu exício é seu. O que nasce comigo morrerá comigo. O demais fica como segredo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário