O peso

Posted on quinta-feira, 17 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Era daquelas que nada comia com receio de engordar, do tipo que faz greve de fome por ter engordado dez gramas. Um dia se apaixonou. Sentia seu corpo tremer ao ver aquele homem perfeito à sua visão. Era o ideal para se ter ao lado e impressionar as amigas. Pensava ter encontrado o homem ideal para exibir. Quando quis ficar, ele respondeu: "Você é bonita, mas não namoro gordas".

Após chorar por uma semana, ela dobrou sua rotina na academia e intensificou sua dieta. Meses depois, tornou a se declarar e ele novamente respondeu: "Não namoro gordas".

Ela novamente se aluiu em lágrimas, mas não desistiu. Agora malhava todos os dias da semana, manhã e tarde e comia pouquíssimo. Mas ele conseguia se manter irredutível: "Não namoro gordas".

Meses depois, ela caíra doente, anoréxica. Sentia sua alma querendo desprender do corpo. Pedira apenas para falar com ele. Disse-o: "Por quê?". Ele retrucou: "Agora vejo-te no auge de tua obesidade. Teu corpo é anoréxico, mas tua mente é obesa de pensamentos repleto de avidez. Pensas que teu corpo é teu objeto de exposição? Podes iniciar, mas não podes manter. Se sobreviveres, podes emagrecer".

Ela agora compreendera. No ápice da sua diligência, com lágrimas nos olhos, disparou lentamente: "Infelizmente eu me amei. Amar-me somente trouxe a obesidade da minha empáfia. Mas neste momento, livro-me da minha obesidade, mas meus sonhos são tão grandes que vão embora com ela. O futuro do pretérito será minha única perspectiva, mas de qualquer forma, muito obrigada..."

E foi fechando os olhos sentindo sua alma longe. Longe do corpo, mas finalmente longe da obesidade...

CD LIESV 2010

Posted on quarta-feira, 16 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Saiu mais um CD do Carnaval Virtual (quem lê aqui e não sabe absolutamente nada sobre o Carnaval Virtual, acesse www.liesv.com.br para entender o que é). Pelo terceiro ano consecutivo, a obra é comandada pelo produtor Leonardo Bessa, no estúdio Onda Sonora. Das 15 faixas do CD, apenas UMA foi produzida de forma amadora. O profissionalismo do CD impressiona.

Participo mais um ano do CD como presidente da Rainha Negra e como compositor. Este ano, de quebra, ainda participei confeccionando a capa e a contracapa do CD que vocês veem abaixo. Através desse espaço aqui, vou tecer comentários básicos sobre as obras, afinal não sou um especialista em samba-enredo.




01 - ESTRELA DO AMANHÃ: O samba não é ruim, é apenas normal, não acrescenta nem prejudica o CD. Foi ofuscado talvez pelo tom que foi gravado. Não foi uma das melhores interpretações de Igor Vianna. É uma faixa dispensável pro CD.

02 - SERENO DE CACHOEIRO: É o melhor samba do CD. O samba é diferente, foge do óbvio e da estrutura marcheada além de mostrar que um bom samba se faz de ousadias, síncopes, contratempos, entre outros. A letra é simples, mas muito bonita. A interpretação de Tico do Gato não é das melhores mas pouco compromete diante da qualidade da obra.

03 - IMPERATRIZ PAULISTA: A Imperatriz Paulista desde o lançamento do enredo vem mostrando que quer mudar seu estilo de carnaval para um estilo mais leve. E a leveza do enredo se refletiu no samba. O samba consegue transmitir a ideia do enredo de forma perfeita. A letra simples acompanhada da melodia, forma uma obra prima que entra pra lista de clássicos da LIESV. Considero redundância comentar a atuação de Anderson Paz, que até hoje não decepcionou em nenhuma interpretação.

04 - BANDEIRANTE DA FOLIA: A Bandeirante da Folia não repete o clássico do ano passado. Assim como o samba da Estrela do Amanhã, é uma faixa que não acrescenta em nada no CD, mas não prejudica também. O samba possui um refrão principal muito bonito, bastante valente. A primeira parte e o refrão do meio são daquelas que dão sono, até a segunda parte "armar" para a explosão do samba que se resume ao refrão. Samba razoável.

05 - IMPÉRIO DO PROGRESSO: A representante de Paraíba do Sul que possui fama de escolher sambas duvidosos este ano escolheu um clássico. É um samba leve, melodia pra cima, contagiante, gostoso de cantar. A interpretação de James Bernardes é excelente. É uma faixa pra se ouvir duas vezes antes de passar para a outra. Sambaço!

06 - ACADÊMICOS DO SETOR 1: A Setor 1 aposta num samba pesado, de longos versos, uso e abuso do tom menor que lembra muito o estilo de samba usado pela Beija-Flor de Nilópolis. O samba é interessante. O interessante da faixa é que bateria, samba e intéprete se combinaram de forma perfeita.

07 - RAINHA NEGRA: A preto e amarelo de Manaus aposta mais uma vez num samba repleto de poesia. O samba espanta por ser praticamente uma declaração de amor. Fica aquela sensação de continuidade da obra do ano passado. O samba de autoria de Rodrigo Raposa não deixa de ser um dos destaques do CD. A interpretação de Leonardo Bessa é digna de Troféu Clara Nunes. Sambaço!

08 - FALCÕES DA SERRA: A Escola de Samba de Campina Grande aposta num tema e num samba bem humorado. O samba possui bons momentos, mas no geral é uma obra que não impressiona.

09 - IMPERIAIS DO SAMBA: Talvez um dos sambas mais comentados do ano, a Imperiais mostra porque é um celeiro de bambas através desse sambaço que promete enlouquecer a passarela virtual. Anota aí que esse é sambaço!

10 - AMIGOS DO SAMBA: Todo CD não tem aquela faixa a ser pulada? Pois é...

11 - PONTE AÉREA: O samba da Ponte Aérea é bem expressivo com relação ao enredo, mas a melodia parece um pouco indefinida. Não é uma das melhores interpretações de Antonio Carlos. Não gostei da faixa.

12 - CAMISA 10: O samba é descritivo, torna-se cansativo e quando chega no fim do samba já não se sabe mais no que prestar atenção. É um samba dispensável pro CD, não gostei.

13 - PRINCESA DA ZONA NORTE: O samba da Princesa da Zona Norte divide opiniões. Boa parte acha o samba genial, outra parte não consegue simplesmente ouvi-lo. A letra é muito bonita, mas a melodia torna o samba totalmente cansativo. 30 minutos na passarela virtual será suficiente para proporcionar um bom sono.

14 - UNIÃO DO SAMBA BRASILEIRO: A União do Samba Brasileiro tem em 2010 um dos melhores sambas da sua história, mas no nível de Grupo Especial não dá mais pra apostar em intérprete amador e gravação amadora, não é?

15 - ALTANEIROS DO SAMBA: O cisne de Nova Friburgo encerra o CD com um samba monótono, que lembra muito os sambas de grupos de acesso da Intendente Magalhães. Pra mim o CD termina bem antes.

Se interessou e quer baixar o CD? Clique aqui e divirta-se. E anote no seu calendário: o Carnaval Virtual 2010 vai ser realizado nos dias 30 e 31 de Julho de 2010 no site www.liesv.com.br

Copa do Mundo

Posted on segunda-feira, 14 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Direto ao ponto: ODEIO a Copa do Mundo de Futebol. Acho totalmente contrasensorial o país parar para assistir a um simples jogo de futebol que em nada nos acrescenta. É ilógico perder tempo útil torcendo para onze homens, cuja representatividade brasileira é tão figurativa que causa náuseas a quem analisa de forma mais patriótica, isto é, os elementos que representam o Brasil em sua maioria vivem fora do país. Como isso é possível?

E o brasileiro deixa de ganhar sua vida para ver e vibrar com isso. Desculpem, mas eu não tenho estômago suficiente para ser demagogo a tal ponto. Um dia já fui bobo, mas meu senso crítico me fez notar a tamanha besteira que é perder o tempo se estressando com o futebol.

Tenho tanta aversão a seleção brasileira ao ponto de torcer contra ela, independente da seleção que jogar contra. E pela terceira Copa do Mundo torcerei contra essa seleção de "brasileiros". Torço para o sucesso da seleção de meus descendentes, de meus avós, a Alemanha. Asseguro que os Fintelman possuem mais honra ao seu pais que o meu genoma Oliveira. A Alemanha, por sua vez, possui todos os jogadores atuando na Alemanha. Você vê garra, amor à pátria. Na seleção "brasileira", vê-se uma guerra de egos incessante.

Agora pensa que eu paro a vida para ver os jogos da Alemanha? Nunca. Se tiver em casa com tempo vago, até vejo, mas a minha vida segue e só perderei parando pro futebol. Eles ganham, o país perde.

Que chegue logo o fim desta competição para que o Brasil volte a viver sua realidade! E não demore!

Crer o não crer: a fé e o ser humano

Posted on by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Tempos atrás me sugeriram um post abordando religiosidade, crenças e afins. Confesso que demorei um bom tempo pra ter uma ideia formada sobre o assunto. E ainda não tenho uma ideia totalmente formada, somente alguns preceitos básicos.

Perguntam-me se acredito em Deus: confesso que não sei responder. Tantos motivos me fazem dizer que sim e ao mesmo tempo outros tantos me fazem dizer que não. Convivo com a dúvida até ter uma prova ou afim. Não me declaro ateu, mas muito menos defino uma religião, nem sigo doutrinas. Sou apenas um ser humano que acredita que fazer o bem é a melhor religião. Se me faz bem e não faz mal ao outro, por que proibir? É nesse ponto que sou bem averso a certas religiões. Privações por tradições que nunca vão levar a lugar nenhum, restrições por questões políticas, entre outros motivos que afastam cada mais da religião.

A religião é criação do homem, mas a crença está dentro de cada um. Mas por enquanto, acredito ter muito tempo pra pensar melhor no assunto... ou não.

Música da Semana: Happy Nightmare (Mescaline) - Thijs Van Leer e Jan Akkerman

Posted on domingo, 13 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Para os que passaram (com muito prazer) o dia dos namorados solteiros e tem um outro conceito sobre namoro, amor e afins, curtam esse progressivo de 1969 na voz de Thijs Van Leer:

O Dia dos Namorados

Posted on sábado, 12 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Que o Dia dos Namorados é uma data comercial repleta de romantismo e mimos de casais todo mundo já está saturado de saber. O que eu insisto em me perguntar é o motivo de simbolizar uma relação numa data. Melhor: qual é o motivo de intervalos de tempo numa relação? Sabe aquela namorada que quer matar porque você esqueceu que hoje faz 3 meses que vocês se olharam a primeira vez naquele show de rock com a banda cover do Deep Purple. E daí, ontem fez 89 dias e você não lembrou também, não é? Por que deve-se comemorar os 90 dias?

E quanto a fálica incessante do universo publicitário do Dia dos Namorados? É um bem comum. Todos lucram, desde as lojas até os vendedores de flores dos mais fétidos bares. Cria-se uma data para os corações se amolecerem e deixar fluir o amor. É tão melifluo que nos dá margem a fazer e aceitar o que não temos certeza. Ele e ela se definem, se amam e tudo é lindo, não é? Não, não é. Mas a intenção não é conceituar pensamentos masculinos e femininos, e isso o que é comum ao 12 de junho.

No início da semana passada, questionaram-me: "Que vais fazer no dia dos namorados?". Respondi: "Nada de significativo planejado". O impressionante é que já se define como uma data onde faz-se coisas especiais. Confesso que esse tipo de coisa me causa até aversão à data. Se um dia eu voltar a namorar, acredito que terei problemas no dia 12 de junho. Mas o espírito de dia dos namorados não pode estar no mesmo lugar que eu. Quando isso acontecer, meus dias do namorado tornar-se-ão dia do septo. É, continue amando o dia dos namorados, pelo bem comum.

Música da Semana: É Tarde Demais - Raça Negra

Posted on quarta-feira, 9 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Não, eu não sou pagodeiro (mas não tenho nada contra quem é) e também não estou apaixonado (mas também não tenho nada contra quem é). 2 motivos me fazem publicar esta música. O primeiro é uma homenagem aos meus amigos Calouro e Surfis (eu acredito \o/) e o segundo é que essa musiquinha aí é responsável pelo Raça Negra ser o terceiro artista que mais vendeu CDs no Brasil. Intrigante, não? Sinta a música (ou não):

O Navio de Memórias

Posted on segunda-feira, 7 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Como um navio que corta o oceano, meu pensamento corta o horizonte azul espalhando memórias pelo chão. Memórias que são fatos, memórias que poderiam ser fatos. Memórias de naufrágios, estas resgatadas das profundezas do oceano periférico mental.

No sangue que jorra da cútis ferida do animal, no adornado flóreo arrancado com força pelo tempo, somente as memórias sobrevivem. Sobrevivem às forças, marcam como o tempo que marca o espaço, desbravam a selva nua de acontecimentos, dá liberdade.

Recordar é entender. O navio de memórias está sempre a navegar por um oceano de acontecimentos, ancorando sempre pelo lado aprazente. Quando o oceano está revolto, o navio de memórias ancora agravosamente. É a hora da tripulação tomar páreo e fazer sua experiência acorrer.

Para uns, o navio de memórias se despede ao sair de um porto. O vazio, o frívolo, o oco... concretices quase abstratas fundem-se em sentimentos. A invasão é imediata, a lágrima escorre nos olhos tristes de quem vê a partida. Tudo é tão fora de alcance, tão fora de forma, e o olhar se fecha mesmo sem a fricção das pálpebras. Ele se torna apenas inútil, o sentido menos importante para o momento.

A alegria de quem vê a chegada do navio de memórias se faz como a vida. Não reflete felicidade, reflete momentos. Um navio que chega vai voltar um dia carregando consigo os momentos. O ciclo é comum, mas vai um dia arrancar lágrimas dos corações entregues às lembranças. Oh, navio de memórias, quero meu decesso contigo, mesmo que ainda viajemos por horizontes incontáveis. Meu exício é seu. O que nasce comigo morrerá comigo. O demais fica como segredo.

Calabouço

Posted on domingo, 6 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 1 comentários

Mais uma composição subliminar típica de Closet. Pena que essa vai ficar só no registro.

Como lágrima que ainda escorre
Como vida que duas vezes morre
Como fim que não se acaba
Nossos caminhos por fim se entrelaçam
O antigo e o novo por ora se abraçam

Eu queria nunca ter tocado suas mãos
Eu queria nunca ter ouvido sua voz
Eu queria ter pensado mais em mim
Acertei errando e pensando em nós

Maliguna tomou conta
Para ti estendi as mãos
Senti me cair os braços
Mais perto fiquei do chão

Por todo o tempo só vivi
No vestíbulo do seu castelo
Quando enfim de lá saí
Não me senti mais liberto
Num calabouço me vi
Mesmo contigo por perto

Música da Semana: Sylvia - Focus

Posted on quinta-feira, 3 de junho de 2010 by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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Essa é pra galera que curte um rock progressivo instrumental. A música é de 1973, mas essa versão é de 2009. Incrível como o Focus não perde a forma, mesmo depois de 40 anos. Sinta:

Sonho-realidade

Posted on by Ewerton Fintelman | 0 comentários
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O sonho é sem dúvidas, o abstrato mais intrigante pra mim. Ele é capaz de resgatar pessoas que moram no fundo do baú do inconsciente, ele cria situações improváveis, prazerosas, desagradáveis, transporta a realidade para um plano que não sai de nossas cabeças.

Na última noite, sonhei que estava em minha casa. Mas não era a casa que moro, era uma nova. Num andar superior, uma biblioteca, com paredes de vidro, revestida por vitrais trabalhados. Ao entrar, uma mulher escrevia uma carta. Esta mulher... tão esquecida por mim, e selecionada pelo sonho... após anos... e a carta?

Sonhos sem sentido, perguntas e dúvidas. Por mais que não façamos uma conexão com algo, esse sonho toma conta do pensamento, nos leva a questionar o porquê daquilo, e às vezes até mexe com nossa visão. Seria tão perfeito poder desfrutar da autotroficia... talvez por isso quando perguntam sobre a coisa mais desejada, pergunta-se "qual é o seu sonho".

Mas como já diz o sonhador Júlio Verne, o que um sonha, o outro pode realizar. Sonhar não custa nada, realizar também não. A diferença fica entre o possível e o impossível.

A Senhora, a jovem e o Tempo

Posted on by Ewerton Fintelman | 1 comentários
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Num dia frio, numa praça deserta, vagava uma senhora de idade já avançada. Trajava uma vestimenta branca, contrastando com um negro sobretudo combinando com as luvas. Carregava consigo um guarda-chuva e uma pequena bolsa. Por trás de seus óculos de meia lua, olhos cansados, mas muito observadores.

Ao caminhar pela praça, observou uma jovem sentada num banco lendo um livro. Com passos de formiga, aproximou-se da jovem, desejando entender o porquê da jovem estar sozinha numa praça deserta naquele dia frio.

Com dificuldades, a senhora se abaixou ao chegar perto da jovem. A jovem fitou a senhora com um olhar de sabedoria e prontamente disse: "A senhora já tem idade, mas o que a faz se aproximar de mim é a força que jorra da fonte da juventude em seu interior." A senhora franziu a testa e respondeu: "Não, minha menina, eu sou você amanhã, você é eu amanhã, nós somos parte de um ciclo de vida." A jovem ficou perplexa tentando compreender o sentido da frase, enquanto a senhora se levantou e começou a andar contra o banco. A jovem em seguida levantou com pressa: "Espere! Veja como a senhora anda e deixa pegadas na neve. Isso não é por acaso!" A senhora sorriu e respondeu: "Minha filha, o acaso é uma fusão da razão e do tempo..."

E com um sorriso bege, a senhora se afastou com o pensamento vago, enquanto a jovem deixava uma lágrima escorrer pelos seus olhos...